O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de concluir uma maratona diplomática com peso geopolítico raro para qualquer nação do Sul Global. Em visitas à China e à Rússia, o Brasil não apenas assinou acordos comerciais bilionários, como também reafirmou seu papel de articulador em um mundo cada vez mais multipolar. Mas, em meio às manchetes que deveriam destacar avanços em tecnologia, energia, comércio e meio ambiente, o que ocupou boa parte da arena pública? Uma campanha orquestrada de desinformação contra a primeira-dama Janja.
O contraste é gritante. De um lado, temos um governo que atrai investimentos estrangeiros diretos da ordem de bilhões, como o caso dos US$ 1 bilhão investido pela Envision Energy na produção de combustível sustentável no Brasil. Do outro, temos uma avalanche de boatos sensacionalistas sobre a participação de Janja nas viagens oficiais, muitas vezes carregados de insinuações machistas e teorias conspiratórias que carecem de qualquer lastro com a realidade.
Por trás dessas narrativas falsas, há um projeto político muito claro: impedir que a população enxergue o que de fato está sendo construído. Quando o Brasil firma 20 novos acordos com a China, investe em reatores nucleares com a Rússia e discute a desdolarização do comércio internacional, está sendo traçado um novo caminho de soberania, inovação e influência internacional. Mas tudo isso exige debate, compreensão e informação de qualidade, exatamente o que as fake news procuram sabotar.
A escolha da China e da Rússia como destinos diplomáticos também não é neutra. Representa uma aposta estratégica do governo brasileiro na construção de alternativas ao eixo ocidental tradicional, buscando autonomia no cenário internacional e abrindo novas rotas para a economia brasileira. É um movimento ousado, num contexto global tensionado por guerras comerciais, crises energéticas e mudanças climáticas. A presença de Lula ao lado de Xi Jinping e Vladimir Putin envia uma mensagem: o Brasil quer ser protagonista, não coadjuvante.
Mas para parte da oposição, qualquer êxito do governo precisa ser silenciado e se não puder ser desmentido, que ao menos seja encoberto. A primeira-dama, então, vira personagem de narrativas absurdas que servem como isca para indignações fabricadas. A velha tática: atacar a mulher para enfraquecer o homem, explorar o moralismo como arma política e desviar o debate para o campo da fofoca.
Esse tipo de distração é venenosa para a democracia. Faz com que setores inteiros da sociedade ignorem decisões estratégicas que afetarão nosso futuro energético, alimentar, ambiental e tecnológico. Enquanto nos distraímos com teorias sem sentido, deixamos de discutir a cooperação em energias renováveis com os chineses, o fortalecimento dos BRICS como alternativa ao G7, ou a potencial revolução logística que virá com os investimentos em infraestrutura anunciados nestes encontros.
É hora de escolhermos onde queremos manter nosso olhar. Ou nos deixamos sequestrar por uma cultura política que se alimenta da mentira e da banalidade, ou enfrentamos o desafio de compreender a complexidade de um país que volta a agir com autonomia e ambição no cenário internacional.
Lula não viajou a passeio. E Janja, ao contrário do que dizem as redes, não é o problema, a cegueira seletiva que insiste em ignorar os avanços do Brasil, sim.

Comentários: