O bolsonarismo dá sinais de agonia: fracasso na Paulista escancara desgaste nas ruas e isolamento político
Se no Congresso Nacional o bolsonarismo ainda tenta sobreviver por aparelhos encostados no centrão fisiológico e em manobras parlamentares para sabotar o governo Lula e inviabilizar sua reeleição em 2026, nas ruas, a situação é outra: o movimento liderado por um Jair Bolsonaro inelegível, acuado pela Justiça e à beira da prisão, começa a desmoronar diante dos olhos da sociedade brasileira.
O fiasco retumbante do último ato convocado por Bolsonaro neste domingo (29), na Avenida Paulista, deixou claro que o bolsonarismo perdeu o fôlego, a força e, sobretudo, o povo. Longe das multidões que outrora ocupavam avenidas inteiras, a manifestação foi reduzida a uma caricatura de si mesma: meia dúzia de extremistas delirantes, carregando bandeiras desconexas e fantasmas de um passado autoritário que já não comove nem seus próprios aliados.
A chamada “micareta golpista” como ironizaram até figuras do campo conservador, não conseguiu ocupar sequer dois quarteirões. Segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP e da ONG More in Common, com base em imagens de drones e IA, o ato reuniu cerca de 12,4 mil pessoas, contra 45 mil do evento anterior em abril — uma queda de mais de 70%. Nem mesmo os portais bolsonaristas conseguiram esconder o esvaziamento vergonhoso.
A desculpa do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), de que o “fim do mês” esvaziou o protesto, soa como deboche. Segundo ele, o “nosso povo” não pôde ir devido ao preço da passagem e do Uber. É a velha cantilena de quem se recusa a admitir o óbvio: o bolsonarismo está em queda livre.
Mais do que a ausência de público, o episódio evidenciou algo ainda mais simbólico: o bolsonarismo perdeu o monopólio das ruas. Um grupo de skatistas invadiu o ato aos gritos de “Ei Bolsonaro, vai tomar no c*”, expondo o enfraquecimento da extrema direita nos espaços públicos que antes ocupava com arrogância.
Nas redes sociais, parlamentares e lideranças progressistas repercutiram o colapso. Guilherme Boulos (PSOL-SP) foi direto: “O povo não aceita mais a manutenção de privilégios!”. Rogério Correia (PT-MG) apontou para o esvaziamento como prenúncio de algo maior: “A prisão já é uma perspectiva real. Em pouco tempo, Bolsonaro não mobilizará mais ninguém.” Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou o evento como uma derrota política e um show de delírios e teorias conspiratórias.
Até o cineasta Kleber Mendonça Filho ironizou: “Daqui a uns três anos, vai ter jovem perguntando o que foi o bolsonarismo e se era pago.”
É inevitável: o bolsonarismo, que já foi fenômeno de massa, está virando anedota histórica. O esvaziamento da Paulista não foi apenas um ato fracassado, foi um retrato do fim de um ciclo, de uma narrativa que não se sustenta mais nem no grito, nem na mentira, nem no medo. O Brasil mudou de página.
E o delírio fascista, por fim, encontra seu merecido silêncio.

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