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Sabado, 08 de Agosto de 2026

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Radicais seguem defendendo a execução de Lula e de Alexandre de Moraes nas redes sociais

Análise de 132 mil publicações no X nas últimas 48 horas indica que 12% demonstraram apoio direto ou simpatia à ideia de eliminar fisicamente as figuras públicas, em nome de uma suposta ‘salvação nacional’

Radicais seguem defendendo a execução de Lula e de Alexandre de Moraes nas redes sociais
Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes estavam entre os alvos do grupo golpista e também nas redes sociais Foto: Wilton Junior/Estadão, Pedro Kirilos/Estadão, Wilton Junior/Estadão
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A banalização da violência no Brasil tem ganhados tons alarmantes. A pouca valorização da vida, diante da enorme quantidade de assassinatos de brasileiros, todos os dias, parece ter deixado muita gente insensível a algo que ultrapassou, há muito, os limites da razoabilidade e que avança para o ambiente político.

Esse sintoma de um País adoecido foi um dos pontos que corroborou para que militares articulassem um plano para assassinar um presidente eleito, seu vice e um ministro do STF. E é também o que leva uma ideia criminosa, que deveria chocar toda a nação, a ter apoio de uma parte minoritária, mas expressiva de internautas.

Ao analisarmos 132 mil publicações no X, feitas nas últimas 48 horas, sobre o plano para matar LulaGeraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, observamos que, apesar de 69% das publicações condenarem o plano de execução, 12% das manifestações demonstraram apoio direto ou simpatia à ideia de eliminar fisicamente figuras públicas, em nome de uma suposta “salvação nacional”.

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Esses dados evidenciam como os limites do discurso democrático têm sido rompidos em determinados setores da sociedade. Muitos dos defensores e apologistas do chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”, revelado pela operação Contragolpe, da Polícia Federal, justificam suas posições sob a alegação de que o governo Lula é ilegítimo, repetindo narrativas conspiratórias amplamente disseminadas em redes sociais e aplicativos de mensagens.

Há também muitas manifestações de ódio ao presidente e ao ministro Alexandre de Moraes. São perfis que acreditam que essas autoridades devem ser retiradas dos cargos que ocupam a qualquer preço.

Para esses, a democracia não entra na equação, pois não aceitam o contraditório. São radicais que se intitulam “de direita”, mas que, na verdade, mancham a imagem da direita legítima, que entende os preceitos conservadores em oposição aos progressistas, e que defende suas ideias dentro da arena democrática e respeitando as instituições.

Infelizmente, entre essas pessoas estão os militares identificados pela PF, que, pelas mensagens divulgadas, confundiram aloprados, que gritavam nas portas dos quartéis pedindo intervenção, com a maioria da população. Interpretaram erroneamente o barulho desses poucos como um sinal de apoio generalizado da população às suas ideias criminosas.

Esqueceram que foi justamente a maioria dos brasileiros que, após a chamada às urnas, escolheu o presidente, como ocorre desde o estabelecimento das eleições diretas.

Felizmente, também no meio militar os extremistas são uma minoria e não encontraram eco entre seus pares para colocar em prática uma operação que beira o surrealismo e que envergonharia as próprias instituições das quais fazem parte.

A questão que emerge é como a violência política se tornou uma ferramenta aceitável para um volume considerável de pessoas.

A narrativa de que eliminar opositores é uma “ação patriótica” foi construída ao longo de anos, alimentada por líderes que, se não incitam diretamente a violência, optam por silêncios cúmplices ou retóricas ambíguas que deixam margem para interpretações perigosas. Nas redes sociais, onde o anonimato e os algoritmos amplificam vozes extremistas, essas ideias encontram um terreno fértil, criando um ciclo vicioso de ódio e radicalização.

A democracia, com todas as suas imperfeições, continua sendo a única alternativa viável para a construção de um País mais justo e igualitário. O ato de votar é um direito conquistado com muita luta e não um capricho a ser colocado em xeque por quem deveria defender a Pátria, mas caiu na tentação de se inebriar pelo poder.

FONTE/CRÉDITOS: Sergio Denicoli - Estadao
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