Além de afrontar os grandes "players" do sistema financeiro transnacional, que controlam as bandeiras Visa, Mastercard e Americam Express (Amex) dos cartões de crédito, a criação do Pix pelo Banco Central, em 2020, atrapalhou os negócios da Meta, big tech de Mark Zuckerberg que controla Facebook, Instagram e o WhatsApp.
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Em determinação ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), Donald Trump pediu a inclusão do Pix na lista de "práticas desleais" do Brasil.
"O Brasil também parece adotar uma série de práticas desleais com relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, entre outras, a concessão de vantagens aos seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, diz o texto, que não especifica quais seriam essas práticas.
No entanto, em 2023, a Meta anunciou que iria disponibilizar o Pix como ferramenta de pagamentos no WhatsApp após não conseguir emplacar apenas a marca própria, o WhatsApp Pay.
O imbróglio remete ao lançamento do Pix, que foi colocado em operação pelo Banco Central do Brasil cinco meses antes do WhatsApp lançar sua plataforma de pagamentos, derrubando os planos da big tech.
Em seguida, o BC e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) iniciaram uma guerra jurídica contra Zuckerberg - apoiador confesso de Trump - para suspender o WhatsApp Pay, alegando que "naquele momento poderia trazer “danos irreparáveis ao sistema brasileiro de pagamentos, notadamente em relação à competição, eficiência e privacidade”.
Com as restrições, o WhatsApp Pay passou a realizar transações financeiros apenas em março de 2021, quando o Pix já estava em pleno funcionamento - e substituindo em grande parte os pagamentos em débito e crédito das bandeiras transnacionais.
Em entrevista ao site Finsiders Brasil em março deste ano, Guilherme Horn, chefe do WhatsApp para Brasil, Índia e Indonésia, admitiu que o Pix atrapalhou os planos da Meta.
“Fizemos uma “pivotada”, mesmo. Inicialmente estávamos focados no mundo dos cartões de crédito. Depois, incluímos o Pix – primeiro para negócios e depois para o WhatsApp Pay. A adoção foi muito boa, embora não possamos divulgar números. Com o Pix, encontramos o Product Market Fit [adequação do produto ao mercado]. Está funcionando bem e as pessoas estão usando. Nosso formato é prático – dá para gerar a chave Pix e mandar para os contatos. Mas o pagamento não acontece dentro do WhatsApp", disse, falando já sobre a inclusão do Pix no sistema de pagamento do WhatsApp no Brasil.
Na entrevista, Horn ressalta, no entanto, que "nunca quisemos concorrer com o Pix".

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