Em seu depoimento durante a delação premiada à Polícia Federal, Mauro Cid compartilhou como os líderes das Forças Armadas em 2022 percebiam a chance de que Jair Bolsonaro assinasse um documento com intenções golpistas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu levantar o sigilo dos depoimentos da delação de Cid. O delator conversou com os investigadores a respeito das reuniões entre Bolsonaro e os comandantes em 2022.
O ex-ajudante de ordens forneceu detalhes sobre as percepções de cada um e relatou conversas que presenciou no encontro entre Bolsonaro e os três oficiais, onde foi proposta uma minuta para assegurar a permanência de Bolsonaro no poder após sua derrota para Lula.
Desacordo do comandante da FAB
Segundo Cid, o comandante da FAB na época foi o mais veemente ao tentar convencer Bolsonaro a desistir do plano. Ele teria dito:
"Presidente, o sr. entrou no jogo, o sr. quis jogar, o sr. perdeu. Não teve fraude,(…) agora acabou o sr. tem que ir pra casa, o sr. tem que fazer oposição"
Perspectivas do comandante da marinha
Na narrativa de Cid, o então comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, expressava que estava com a frota “pronta para agir”.
Ele estaria esperando que Bolsonaro desse a “ordem”, mas sua decisão dependia da adesão do Exército, que possui o maior número de efetivos entre as forças armadas.
O papel do comandante do exército
O comandante do Exército, general Freire Gomes, seria considerado um “meio termo” entre as posições dos dois anteriores, segundo Cid. No entanto, ele nunca apoiou uma intervenção militar para tomar o poder.
Defesa de Bolsonaro e críticas à delação
O advogado de Bolsonaro afirmou que solicitará a anulação da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. Em uma entrevista à GloboNews, quando questionado pela jornalista Andreia Sadi sobre esse pedido, ele respondeu:
“Evidentemente que sim.”
Ele criticou o andamento do processo e questionou a decisão do ministro Alexandre de Moraes em ouvir Cid:
"Cadê os juristas, cadê os advogados que criticaram a Lava Jato? Qual é o recado que nós vamos passar para o país admitindo uma delação como essa?"
Ele enfatizou a necessidade de cautela diante da seriedade da situação.
Reação de Bolsonaro às acusações
Bolsonaro se referiu à acusação feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre uma suposta tentativa de golpe como uma “denúncia Disney” e declarou:
“Caguei pra prisão.”
Durante um evento do PL em Brasília nesta quinta-feira (20), ele afirmou:
“O tempo todo: vamos prender Bolsonaro. Caguei pra prisão.”
Além disso, ironizou:
“Desde 19, [eu] articulava ao desacreditar o sistema eleitoral e dar um golpe. O golpe da Disney, porque eu tava lá com Pato Donald e o Mickey.”

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