O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), um dos 37 indiciados pela Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado no Brasil, voltou a negar que tenha planejado impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista à revista Veja, Bolsonaro também negou qualquer envolvimento em um suposto plano de assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O hipotético planejamento do crime foi revelado pela PF no âmbito da Operação Contragolpe, deflagrada na última terça-feira (19), que culminou na prisão de quatro militares e um policial federal.
“Lá na Presidência, havia mais ou menos 3 mil pessoas naquele prédio. Se um cara bola um negócio qualquer, o que eu tenho a ver com isso? Discutir comigo um plano para matar alguém? Isso nunca aconteceu”, garantiu Bolsonaro.
Ainda segundo o ex-presidente, ele jamais endossaria qualquer plano de golpe de Estado no país.
“Eu jamais compactuaria com qualquer plano para dar um golpe. Quando falavam comigo, era sempre para usar o estado de sítio, algo constitucional, que dependeria do aval do Congresso”, afirmou.
Bolsonaro foi indiciado pela PF pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de estado e organização criminosa.
Também foram indiciados os generais Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); e Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa e candidato a vice-presidente da República nas eleições de 2022.
Entre os 37 indiciados, ainda estão o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro, e Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, partido do ex-presidente da República.
O relatório final da PF tem mais de 800 páginas. O documento foi finalizado na tarde de quinta-feira (21) e encaminhado ao STF.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, deve compartilhar o relatório com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá ao PGR, Paulo Gonet, a decisão sobre a apresentação ou não de uma denúncia contra os investigados. O chefe do Ministério Público Federal (MPF) também pode pedir novas diligências.

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