Na última quarta‑feira, 6 de agosto de 2025, o youtuber e humorista Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como Felca, lançou um vídeo de quase 50 minutos intitulado “adultização”, no qual denuncia com rigor e farto material audiovisual a exploração e sexualização de crianças e adolescentes em plataformas digitais. Em poucos dias, o conteúdo já acumulava quase 30 milhões de visualizações, provocando reverberações que chegaram ao Congresso Nacional.
Felca expôs, com exemplos concretos, como o caso de Hytalo Santos , cuja conta no Instagram foi desativada logo após as denúncias, de como os algoritmos das redes promovem a erotização precoce e facilitam a atuação de predadores. Ele também mostrou como comentários e grupos suspeitos proliferam nesses ambientes, e o efeito corrosivo disso sobre a infância.
O apoio social e político recolocado com urgência
A repercussão foi imediata e ampla. Deixou de ser um debate técnico, restrito ao ambiente digital, e passou a ser “de Estado”. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou a inclusão de projetos sobre a “adultização infantil” na pauta ainda nesta semana.
Parlamentares como Erika Hilton (PSOL‑SP), Nikolas Ferreira (PL‑MG) e a ministra Gleisi Hoffmann elogiaram a iniciativa, apontando a urgência de proteger nossas crianças. Até o Ministério Público da Paraíba, que já investigava Hytalo desde 2024, teve sua atuação reforçada.
Reforçando a atuação das autoridades brasileiras
A repercussão da denúncia de Felca serve como um alerta inescapável: o Estado precisa agir de forma decisiva e coordenada. Eis algumas medidas urgentes a serem adotadas:
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Aprovação imediata de projetos de lei específicos que criminalizem a produção e distribuição de conteúdos que sexualizem ou exponham indivíduos menores de idade nas redes sociais, com penas significativas e tipificação explícita no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
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Fortalecimento da responsabilização das plataformas digitais, conforme a recente decisão do STF de 26 de junho, que exige remoção proativa de conteúdos que envolvam crimes sexuais contra menores, com regulamentação eficaz antes do fim do ano
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Ampliação das capacidades de fiscalização e investigação, com investimentos no Ministério Público, na Polícia Federal e nas redes estaduais, além de cooperação com associações de proteção à infância e psiquiatras como Christian Dunker, da USP, para mapeamento de riscos e criação de protocolos de combate à “adultização”
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Campanhas nacionais de conscientização, destinadas a pais, educadores e responsáveis, alertando para os perigos da exposição consciente ou inconsciente das crianças e incentivando denúncias e cuidado ético com a infância.
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Apoio psicológico e social às vítimas identificadas, com criação de canais seguros para acolhimento, defesa legal e acompanhamento psicossocial.
Felca demonstrou que a estética do humor, quando aliada à coragem cívica, pode mobilizar debates decisivos para a proteção de crianças e adolescentes no país. O Brasil têm agora a oportunidade de transformar essa denúncia em políticas públicas concretas, não há tempo a perder. A infância merece não apenas aplausos, mas garantias.
